As revoluções internas - Rubia Piancastelli
Nos tempos da Fafich da Rua Carangola quase ninguém formava nos quatro anos previstos para a conclusão do curso de Comunicação Social. Era de cinco a oito anos, em média, sendo os atrasos justificados pela permissão para trabalhar enquanto ainda aluno, desde o quarto período. Mas a verdade é que a Fafich sempre foi atraente demais e ninguém tinha pressa de sair. Fosse pela efervescência da vida estudantil na época, fosse pela permissão para fazer de tudo e sentir de tudo, havia sempre um motivo para postergar o recebimento do diploma. A vida podia ser vivida no centro de estudos %u2013 de onde saíam planos para derrubar o governo opressor - ou ainda no bar do D.A., anexo ao fervilhar político do DCE.
Além dos apelos à vida extracurricular nas dependências da Universidade, os cursos de Filosofia, História, Ciências Sociais e Comunicação tinham em comum a existência dos professores %u201Ccabides%u201D e alunos %u201Cmorcegos%u201D. Cabides eram aqueles que tinham o título, mas viviam de outras fontes de renda. Muitos sequer apareciam para dar aula. Era um universo formado por padres, funcionários públicos, figurões indicados por questões políticas e alguns verdadeiros cara-duras, que não iam a universidades por simples e espontâneo %u201Cnão-querer%u201D. Como água de um mesmo pote, existiam também os afamados alunos morcegos que cabulavam aulas e dormiam nas carteiras. Afinal, eram seres noturnos.
Muitos militantes defendiam causas externas, da conjuntura política da época. Mas em muitos dos departamentos havia casos e mais casos de negociações curriculares e guerras acadêmicas, responsáveis por muitas das novas diretrizes de educação e também por grandes conquistas para os cursos. Algumas, como a estrutura fundamentada para as Ciências Sociais, perduram até os dias de hoje no campus da UFMG na Pampulha.
Fernando Você
Se mudar o mundo não era problema para algumas das cabeças
revolucionárias do curso de Comunicação da Fafich, mudar a ementa e
palpitar na forma de ministrar uma disciplina era item fácil. %u201CApós
caloroso debate no DCE, voltamos para a sala enfoguetados, para
assistir à disciplina de Radialismo %u2013 ou algo semelhante. A matéria era
dada de forma que os alunos detestavam, e mesmo após conversar com o
professor nada mudava%u201D, relata a então aluna, hoje professora, Miriam
Chrystus.
Após homéricas discussões entre professor e alunos, o colega Fernando Assunção volta-se para o mestre e diz, com o dedo apontado e grande veemência: %u201Cvocê tem que aceitar a mudança.%u201D Tomado por grande fúria, o professor retruca com um %u201Cvocê não, SENHOR.%u201D Pois Fernando, logo soltou %u201Cpois VOCÊ vá à merda%u201D! E daí em diante era soco pra lá, paletó rasgado pra cá; a baderna instalada.
Não bastasse o tumulto do momento, começaram as especulações estudantis sobre como proteger o colega; se era preciso contratar um advogado ou outra formas de resguardar a condição de aluno. Nesse momento, volta o professor à sala, no estado deplorável em que estava após a briga, e diz: %u201CPois agora, vamos fazer a chamada%u201D.
Pela Lei 477 que regia o comportamento dos alunos da Fafich, Fernando Você %u2013 apelido justamente ganho após o episódio - seria expulso da Universidade ou ficaria claramente ameaçado nesse sentido. Preparados para qualquer embate, os alunos não precisaram exercer seus dons de esbravejar pelos direitos, pois nada de grave, além do belo quebra-pau, aconteceu após essa situação.
O curso que a gente quer ter
A Escola de Ciências Políticas tem orgulho de registrar em sua história
acadêmica a conquista de um curso de excelência pelo do esforço de
antigos alunos %u2013 muitos hoje mestres e doutores. Tudo com muita luta,
busca de apoio externo e muitas reuniões coletivas.
Antônio Augusto Pereira Prates, mais conhecido como professor Prates, do departamento de Ciências Políticas do campus, lembra-se bem da grande mudança de pensamento que ocorreu no curso nos anos 60. Até então freqüentador das rodas intelectuais da FACE, Prates conta que as ciências políticas dispunham de profissionais de excelente nível e formadores de uma massa crítica destacada pela pesquisa, características que persistem até hoje.
%u201CAs Ciências Sociais trouxeram uma inovação para a escola, e foi de lá que surgiu a primeira pós-graduação%u201D, conta Prates. A liderança política era tão forte e os alunos tão bem preparados para a argumentação, que eles próprios escolheram as matérias que gostariam de estudar, os mestres que gostariam de ter. Influenciados por pensadores internacionais, trouxeram da França o Marcos Pages, dos EUA o Festinger, e outros que trouxeram ensinamentos e polêmicas, como o Le Pasadi, filósofo francês que tinha forte ligação com a frente homossexual e tentou implementar análises muito além da compreensão e aceitação das lideranças na época. Havia também o contato com profissionais brasileiros diferenciados, a exemplo de Antônio Otávio Cintra, Fábio Andrei, José Murilo de Carvalho, Célio Garcia e Fernando Correa Morsi.
Os alunos adotaram um verdadeiro estilo de vida e não apenas mais uma forma de lidar com o conhecimento. Influenciados pela "Beatlemania", %u201CTropicália%u201D e outras tendências, construíram em 1968 o Curso Paralelo, as Ciências Sociais. Até então existia a Filosofia, mas não havia ainda a Ciências Sociais. E foi esse curso de graduação de alto nível que surgiu do ventre dos alunos, com apoio da Fundação Ford, que ajudou na missão de trazer pesquisadores internacionais para compor a grade docente e a secretaria, com a meta única de buscar uma formação de qualidade, diferenciada.
%u201CA força motriz dos alunos era a crença no momento acadêmico de crescimento, e não só na luta política, como se ativeram muitos durante a vida na Fafich%u201D, conta Prates. Mais que um ganho para as Ciências Sociais, a convivência de alunos e professores de todos os cursos era o verdadeiro caldeirão fervente de conhecimento e trocas. E essa característica de multiplicidade existe até hoje na Fafich do Campus. No espaço para onde foi transferida a escola de Filosofia e Ciências Humanas, ainda estão alguns dos batalhadores que hoje são referências para a nova geração, como Celina Pereira, Prof. Paixão, Otávio Dulci, Heloisa Starling, Ciro Bandeira e Noronha, e mais o Prof. Prates e muitos outros.
Memórias e Legados da Fafich - Rubia Piancastelli
A vida dos faficheiros (nome carinhoso e cheio
de estereótipos que se refere a todos que estudaram na Fafich) podia
ser dividida entre a política e a boemia, duas ricas fontes de produção
e elucubrações. O prédio da Rua Carangola, com seus vários cursos, mais
parecia um templo multicultural onde se experimentava de tudo e ali
mesmo provava-se de suas conseqüências.
De um lado, os bares que
pipocavam pelo bairro Santo Antônio como um desdobramento do lendário
Bar do D.A e as mil festas que eram feitas em nome da paz e do amor. De
outro, o valioso legado acadêmico como a sólida estrutura de alguns
cursos, e as publicações lançadas há décadas e existentes até hoje.
A Fafich ainda é o reduto dos malucos, hippies, moderninhos, %u201Dcdf%u2019s%u201D, todos juntos sob o mesmo teto, convivendo em harmonia com os vizinhos mais convencionais, como biblioteconomistas. A essência dessa herança política e de fervor cultural é tão simples que se torna difícil de explicar, afinal a retórica é o dom e o velho mal dos cursos de Ciências Humanas.
20 anos depois
Um dos legados do curso de História, que de mal-visto passou a ser
muito bem conceituado, após sofridas conquistas, é a revista
internacionalmente conhecida %u201CVária História%u201D. Elaborada com a mixaria
que restou de um inesquecível congresso realizado pelo departamento na
década de 80, a publicação carrega desde seu âmago ares de liberdade de
expressão.
Primeiro professor concursado da História e ex-chefe de departamento,
Ciro Bandeira, hoje aposentado, conta sobre o evento intitulado %u201C1984:
20 anos depois%u201D. %u201CQueríamos muito esse seminário, mas não havia
dinheiro ou infra-estrutura que pudesse receber mais de mil alunos
inscritos, vindos de todos os cursos%u201D, conta Ciro. A atração principal
era o pensador Florestan Fernander.
Acostumados a fazer as coisas acontecerem apesar de todas as dificuldades (inclusive a de distribuir os diplomas para os participantes), professores do departamento, em especial Ciro e Heloisa Starling, montaram toda a programação. Do próprio bolso, providenciaram o aluguel das cadeiras e o sistema de iluminação que seria instalado. %u201CO auditório não comportava mais de 80 pessoas, e assim, sentei um dia na rampa da Fafich e calculei quantas cadeiras poderíamos colocar ali%u201D, conta Ciro. Foi na mesma rampa em que, 20 anos atrás, na época da ditadura, haviam pisado os milicos na histórica invasão do prédio da Carangola.
Num evento grandioso como aquele, uma celebração que realmente mexia com o sentimento dos que passaram pela repressão da ditadura, a única coisa que não poderia acontecer era chover. Sim, o seminário foi ao ar livre, durante quatro dias, com uma média de 800 pessoas por dia, chegando a transbordar de gente nas palestras mais concorridas.
A instituição patrocinadora foi o CNPq, mas o dinheiro era pouco. A gasolina para levar o palestrante internacional do aeroporto para o hotel Normandy foi paga pelo departamento. %u201CQuando fomos buscar o Florestan no aeroporto, ele, num ato surpreendente, abriu mão do seu %u2018cachê%u2019. No dia da sua palestra, o espaço para participantes ficou entupido. Era um dia lindo de maio, o sol estava suave. Florestan fez um elogio àquela ocasião e à celebração da vida que acontecia naquele momento%u201D, conta Ciro.
Todas em uma
Num mundo em pleno questionamento era comum ver as dualidades e ambigüidades em todas as esferas, especialmente naquelas onde o debate e a experimentação eram constantes. O novo e velho modelo, o homem e a mulher, a modernidade e o estereótipo, o estudar e o trabalhar... Para cada embate, milhares de ações e reações, como o feminismo, o movimento estudantil, as greves e as resistências, as discussões dentro de aula e fora dela, as relações nada monogâmicas e também os corações partidos. A Fafich era uma faculdade e muito mais, era a paixão pela sabedoria e suas possibilidades, e também pela vida fora do prédio.
Ciro Bandeira graduou-se em Direito e História; Antônio Prates se ligou com paixão a Ciências Sociais e também à Psicologia e Mirian Chrystus viveu sua juventude entre a Comunicação e as redações do Jornal de Minas e do De Fato. São três ex-alunos que freqüentaram uma mesma faculdade, viveram de formas diferentes o mesmo momento político, receberam influências distintas, mas permaneceram na escola como professores, pela profissão e pela paixão.
Na sua formatura no curso de Direito, em 1964, dois dias antes da imposição do AI-5, Ciro teve uma celebração oficial e uma oficiosa, como não poderia deixar de ser tendo em vista o ano macabro em que se graduou. O Gato de 64, como ficou conhecida a celebração oficiosa no antigo Cinema Metrópole, estava impregnado com a herança de José Carlos da Matta Machado, grande ícone da escola de Direito e vítima do regime militar. Ainda como aluno, Ciro enfrentou outro tipo de guerra, dentro da própria base educacional. Após engolir seco os sorrisos rebotalhos que se seguiam de constantes críticas ao curso de História %u2013 e seu estigma de ser fraco - Ciro passou anos fora da instituição para depois voltar e lutar em prol das conquistas e do reconhecimento da academia. Uniram-se a ele Carla Anastásia, Lana Siman e Eliana Braga, dentre os outros professores.
Apartidária e apaixonada pelo jornalismo, Mirian Chrystus conta que sua saga na Federal nada seria se não fosse o permitido contato com o jornalismo real através das matérias feitas no Jornal de Minas e no De Fato. Nesse último veículo, criado em 75 e extinto em 80, participou de vários debates políticos promovidos pelos próprios alunos da Fafich e da PUC, responsáveis pela redação e distribuição do material.
A imprensa alternativa do De Fato era um sinônimo de amor à causa, e esteve presente em grandes momentos como o 3º Encontro Nacional dos Estudantes - ENE, em 1978, na Faculdade de Medicina. %u201CNós do Jornal De Fato estávamos lá dentro do Encontro, através do colega Kennedy Albernaz. Foi nessa ocasião que o Kennedy, com seu temperamento peculiar, flagrou o representante do movimento estudantil sendo abordado por um general para que negociassem a saída dos alunos. Ao responder com um %u2018vou consultar as bases%u2019, o jovem ouviu %u2018você tem 5 minutos para consultar suas bases%u2019, mostrando que já sabia que a consulta era algo infindável...%u201D, conta Mirian. Junto a Beth Cataldo e Durval Guimaraes %u2013 grande defensor de uma estrutura mais hierárquica dentro do jornal %u2013, passaram bons tempos na redação até que o De Fato decaísse após uma mudança na linha editorial. A mudança, promovida pelos alunos do movimento estudantil, também presentes na redação do jornal, não poderia deixar de ser conservadora, uma vez que se fixava exclusivamente nas necessidades e mazelas do proletariado excluído. Reduziu-se, assim, a variedade de pautas com temas %u201Calém-movimento%u201D, levando o outrora alternativo jornal por água abaixo.
A vida dos faficheiros (nome carinhoso e cheio de estereótipos que se refere a todos que estudaram na Fafich) podia ser dividida entre a política e a boemia, duas ricas fontes de produção e elucubrações. O prédio da Rua Carangola, com seus vários cursos, mais parecia um templo multicultural onde se experimentava de tudo e ali mesmo provava-se de suas conseqüências.
De um lado, os bares que pipocavam pelo bairro Santo Antônio como um desdobramento do lendário Bar do D.A e as mil festas que eram feitas em nome da paz e do amor. De outro, o valioso legado acadêmico como a sólida estrutura de alguns cursos, e as publicações lançadas há décadas e existentes até hoje.
A Fafich ainda é o reduto dos malucos, hippies, moderninhos, %u201Dcdf%u2019s%u201D, todos juntos sob o mesmo teto, convivendo em harmonia com os vizinhos mais convencionais, como biblioteconomistas. A essência dessa herança política e de fervor cultural é tão simples que se torna difícil de explicar, afinal a retórica é o dom e o velho mal dos cursos de Ciências Humanas.
20 anos depois
Um dos legados do curso de História, que de mal-visto passou a ser muito bem conceituado, após sofridas conquistas, é a revista internacionalmente conhecida %u201CVária História%u201D. Elaborada com a mixaria que restou de um inesquecível congresso realizado pelo departamento na década de 80, a publicação carrega desde seu âmago ares de liberdade de expressão.
Primeiro professor concursado da História e ex-chefe de departamento, Ciro Bandeira, hoje aposentado, conta sobre o evento intitulado %u201C1984: 20 anos depois%u201D. %u201CQueríamos muito esse seminário, mas não havia dinheiro ou infra-estrutura que pudesse receber mais de mil alunos inscritos, vindos de todos os cursos%u201D, conta Ciro. A atração principal era o pensador Florestan Fernander.
Acostumados a fazer as coisas acontecerem apesar de todas as dificuldades (inclusive a de distribuir os diplomas para os participantes), professores do departamento, em especial Ciro e Heloisa Starling, montaram toda a programação. Do próprio bolso, providenciaram o aluguel das cadeiras e o sistema de iluminação que seria instalado. %u201CO auditório não comportava mais de 80 pessoas, e assim, sentei um dia na rampa da Fafich e calculei quantas cadeiras poderíamos colocar ali%u201D, conta Ciro. Foi na mesma rampa em que, 20 anos atrás, na época da ditadura, haviam pisado os milicos na histórica invasão do prédio da Carangola.
Num evento grandioso como aquele, uma celebração que realmente mexia com o sentimento dos que passaram pela repressão da ditadura, a única coisa que não poderia acontecer era chover. Sim, o seminário foi ao ar livre, durante quatro dias, com uma média de 800 pessoas por dia, chegando a transbordar de gente nas palestras mais concorridas.
A instituição patrocinadora foi o CNPq, mas o dinheiro era pouco. A gasolina para levar o palestrante internacional do aeroporto para o hotel Normandy foi paga pelo departamento. %u201CQuando fomos buscar o Florestan no aeroporto, ele, num ato surpreendente, abriu mão do seu %u2018cachê%u2019. No dia da sua palestra, o espaço para participantes ficou entupido. Era um dia lindo de maio, o sol estava suave. Florestan fez um elogio àquela ocasião e à celebração da vida que acontecia naquele momento%u201D, conta Ciro.
Todas em uma
Num mundo em pleno questionamento era comum ver as dualidades e ambigüidades em todas as esferas, especialmente naquelas onde o debate e a experimentação eram constantes. O novo e velho modelo, o homem e a mulher, a modernidade e o estereótipo, o estudar e o trabalhar... Para cada embate, milhares de ações e reações, como o feminismo, o movimento estudantil, as greves e as resistências, as discussões dentro de aula e fora dela, as relações nada monogâmicas e também os corações partidos. A Fafich era uma faculdade e muito mais, era a paixão pela sabedoria e suas possibilidades, e também pela vida fora do prédio.
Ciro Bandeira graduou-se em Direito e História; Antônio Prates se ligou com paixão a Ciências Sociais e também à Psicologia e Mirian Chrystus viveu sua juventude entre a Comunicação e as redações do Jornal de Minas e do De Fato. São três ex-alunos que freqüentaram uma mesma faculdade, viveram de formas diferentes o mesmo momento político, receberam influências distintas, mas permaneceram na escola como professores, pela profissão e pela paixão.
Na sua formatura no curso de Direito, em 1964, dois dias antes da imposição do AI-5, Ciro teve uma celebração oficial e uma oficiosa, como não poderia deixar de ser tendo em vista o ano macabro em que se graduou. O Gato de 64, como ficou conhecida a celebração oficiosa no antigo Cinema Metrópole, estava impregnado com a herança de José Carlos da Matta Machado, grande ícone da escola de Direito e vítima do regime militar. Ainda como aluno, Ciro enfrentou outro tipo de guerra, dentro da própria base educacional. Após engolir seco os sorrisos rebotalhos que se seguiam de constantes críticas ao curso de História %u2013 e seu estigma de ser fraco - Ciro passou anos fora da instituição para depois voltar e lutar em prol das conquistas e do reconhecimento da academia. Uniram-se a ele Carla Anastásia, Lana Siman e Eliana Braga, dentre os outros professores.
Apartidária e apaixonada pelo jornalismo, Mirian Chrystus conta que sua saga na Federal nada seria se não fosse o permitido contato com o jornalismo real através das matérias feitas no Jornal de Minas e no De Fato. Nesse último veículo, criado em 75 e extinto em 80, participou de vários debates políticos promovidos pelos próprios alunos da Fafich e da PUC, responsáveis pela redação e distribuição do material.
A imprensa alternativa do De Fato era um sinônimo de amor à causa, e esteve presente em grandes momentos como o 3º Encontro Nacional dos Estudantes - ENE, em 1978, na Faculdade de Medicina. %u201CNós do Jornal De Fato estávamos lá dentro do Encontro, através do colega Kennedy Albernaz. Foi nessa ocasião que o Kennedy, com seu temperamento peculiar, flagrou o representante do movimento estudantil sendo abordado por um general para que negociassem a saída dos alunos. Ao responder com um %u2018vou consultar as bases%u2019, o jovem ouviu %u2018você tem 5 minutos para consultar suas bases%u2019, mostrando que já sabia que a consulta era algo infindável...%u201D, conta Mirian. Junto a Beth Cataldo e Durval Guimaraes %u2013 grande defensor de uma estrutura mais hierárquica dentro do jornal %u2013, passaram bons tempos na redação até que o De Fato decaísse após uma mudança na linha editorial. A mudança, promovida pelos alunos do movimento estudantil, também presentes na redação do jornal, não poderia deixar de ser conservadora, uma vez que se fixava exclusivamente nas necessidades e mazelas do proletariado excluído. Reduziu-se, assim, a variedade de pautas com temas %u201Calém-movimento%u201D, levando o outrora alternativo jornal por água abaixo.
Um lugar para reinventar a vida - Rúbia Piancastelli
